segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

18-19/12 Km 180 - Manaus






Um pouco de demora em atualizar as noticias por falta de internet e sinal de celular no caminho. Muitas histórias para contar desses dias, já tô parecendo um cavalo pampa da pata branca e da outra preta, o braço esquerdo tá preto. Os ingleses projetaram o Defender pra convidar o condutor a abaixar o vidro e botar o bração pra fora e eu ainda que não gosto muito do ar-condicionado, tô com o braço esquerdo torrado.

Bom, após uma parada forcada no Km 180 da Transamazônica por causa do bloqueio da estrada pelos índios que estavam reivindicando luz elétrica em algumas casas que ainda não possuíam mas a policia federal conseguiu liberar a estrada. Conversando com locais, disseram que este tipo de atitude pelos índios não é tão raro. Pelo o que nos presenciamos, não duvido que logo eles fechem a estrada de novo exigindo internet banda larga...

Ficamos hospedados no Km 180 no Hotel Tropical, que pertence ao Mineiro,gente boa e figura que gosta de contar uns causos da Transamazônica das épocas de ouro da mesma. Nos contou que hoje a situação da estrada esta excelente comparado há 10 anos, quando os caminhões muitas vezes levavam 30 a 40 dias para percorrer os 180 km de Humaitá ate a localidade. Ele me falou rindo que sempre teve picapes porque elas eram bem melhores do que os jipes na lama. A técnica “off-road” dele era sair cedo e passar nos pontos de lotação, enchia a caçamba com os caboclos, uns 10 a 12 e seguia viagem. Quando tinha os atoleiros já buzinava pros passageiros pularem e empurrarem a picape, os caboclos chegavam a cair da caçamba nos atoleiros. Conta faceiro que chegava em Humaitá com as botas limpas.

Seguimos então em direção a Humaitá pela Transamazônica, a estrada esta em boas condições em sua maior parte. A uns 40 km de Humaitá encontramos uma ponte que estava cedendo e maquinas estavam construindo um desvio alternativo. Passei com o 90tinha assim como o meu pai, o Alex achou prudente esperar o desvio ficar pronto para passar com a 110 que esta bem pesada.

Chegamos em Humaitá ao meio dia, abastecemos e compramos mantimentos e seguimos para a BR-319. No caminho a 90tinha do meu pai começou a falhar, mas antes de abrir o capo já pegamos um filtro novo de combustível, trocamos e tudo resolvido. Decidimos não deixar mais o combustível chegar no nível da reserva e vamos sempre manter os tanques reservas cheios, para evitar postos de combustível que parecerem suspeitos.

Este trecho tem aproximadamente 700 km e nos primeiros 100 km já sentimos que seria um trecho longo e cansativo. Em toda a extensão encontramos o que restou do asfalto, buraco que não acaba mais. A água da chuva que enchia os buracos, nos enganava quanto a profundidade e extensão. Pouca lama e muito buracos. A 1ª e 2ª marcha foram usadas muitas vezes, poucas ocasiões que a 4ª marcha entrou.Paramos meio da tarde para comer e descansar, o Alex aproveitou para ver se algum peixe queria experimentar uma linguiça caseira lá de Rio do Sul. Por mais cuidadosos que tentávamos ser, era inevitável as batidas secas e fortes nas pontas de asfalto ou nos buracos. A 319 é realmente surreal. Paramos um pouco antes de escurecer e montamos acampamento.

Acordamos ainda de madrugada e ainda escuro encontramos uma família em uma Hilux que tinha desviado de uma ponte e estava atolada, tiramos a Hilux que tinha saído de Manaus há mais de 20 horas. Logo clareou o dia e mais buracos pela frente, a sorte que a chuva não caiu e os buracos ficavam mais visíveis. Em uma ponte que estava um pouco suspeita, passei e senti que ela não estava tão firme, não deu nem tempo pra avisa no radio e o meu pai com o 90tinha subiu nela, andou um pouco e a traseira esquerda do jipe afundou levantando no ar a roda dianteira dianteira. Correria , cintas e cabos pra todo lado,passamos cintas na ponte tentando apoiar na parte que ainda estava firme e puxamos com muito cuidado e rezando pra tudo não desabar. Como a nossa equipe de resgate é a mesma que faz a parte de fotografia, infelizmente, não registramos o susto. O Alex teve que contornar a ponte por baixo pela lama e finalmente o guincho teve que trabalhar!

Perto da balsa do rio Igapó- Açu, demos uma forcinha pro pessoal que faz a manutenção das torres da Embratel que estavam com uma Toyota Badeirante encalhada. Na balsa um rapaz veio pedir pra que levássemos o filho de 6 anos para Castanho, pois o menino estava mal. O menino bem prostrado e febril, liberamos o banco traseiro do jipe do Alex para a criança e mãe. A mãe nos contou que ali não tem transporte e estavam planejando levar a criança pro hospital em uma moto. O serviço de bordo foi bom, eram bolachas, salgadinhos e refrigerante para a criança que segundo a mãe não comia há dois dias. A situação dessas pessoas é algo fora de nossa realidade.

Depois da balsa, a suspensão do Alex quebrou. Como ele tem um lift na suspensão, o alongador de amortecedor traseiro não aguentou e quebrou, e tivemos que parar para trocar o amortecedor.

Chegando próximo a Manaus muitos carros e caminhões nos passavam cumprimentando. Aguardamos quase duas horas para a balsa chegar e nos levar para Manaus. Na balsa parei do lado de uma pampa carregada de bodes, talvez foi o cheiro que atraiu outros bodes mas não dava pra ficar perto do Murcilha, era mijo de cabra correndo pelo chão e o fedorão só melhorou depois que a balsa partiu. Na balsa um "campeonato" de som dos carros, e não fugiu da científica equação da qual potência do som é inversamente proporcional ao gosto musical do proprietário..., até Zé Ramalho versão funk apareceu...

Hoje vai ser o dia de lavar as viaturas, ver se nada ficou pela estrada e dar uma boa geral na parte mecânica e suspensão que foi bem judiada neste último trecho. Estamos pensando em mudar os planos e seguir de balsa para Santarém. Hoje os participantes e a direção vão se reunir na manhã para decidir.

Um grande abraço a todos,

Walter

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