Buenas,
Tivemos os últimos três dias bem agitados na estrada. Saímos cedo de Itaituba em direção à Uruará, mas poucos quilômetros após a balsa mudamos todo os planos.
Ainda perto de Itaituba, o Alex percebeu uma nuvem de fumaça saindo do jipe do Dr. Camacho e pediu para ele parar. A nuvem de fumaça era vapor de água, era a outra mangueira que vai ao radiador do ar quente que simplesmente se partiu. Isolamos as mangueiras com um "jump" direto e continuamos. No dia anterior já tinhamos decidido a trocar essas mangueiras assim que encontrassemos uma cidade, mas não deu tempo e por muita sorte, o Alex percebeu em tempo. Se tivesse fervido o motor a seco, provavelmente era junta e cabeçote que teriam ido embora.
Enquanto estavamos fuçando no motor, uma Land Cruiser Toyota de argentinos parou para pedir informações. Eles, pai e dois filhos, que estavam viajando de Buenos Aires até a Venezuela e retornariam pelo Equador e Chile. Uma pena que não temos estas Land Cruisers aqui no Brasil, um senhor 4x4 para expedições, toda equipada com barraca de teto e vários outros aparatos para expedicionários. Gostei mesmo do que vi na Land Cruiser, talvez ponha ela na lista dos meus sonhos de consumo automotivo, que já tem a VW Kombi Karmann Ghia Safari e a restauração de dois ícones, uma GM Caravan SS 250 e a Willys Rural. Bom, eles estavam vindo de Uruará e nos disseram que a Trans-Uruará está uma beleza, encontraram um monte de máquinas preparando a estrada pra época das chuvas que já começou. Destino abortado.
Ainda enquanto estavamos acabando de arrumar as mangueiras, parou uma Hilux branca com placa de Braço do Norte - SC, chegava nela o nosso novo guia local, o Irineu. Ele nos tirou do "city tour" que estavamos e nos levou pra conhecer alguns lugares e estradas que ele conhecia. Cruzamos áreas de desmatamento, no meio da floresta. Realmente por aqui, quem desmata mesmo, são os pecuaristas e não as madereiras. O negócio é derrubar e tocar fogo em tudo, nós vimos muita madeira queimando, até mesmo Ipês e outras árvores nobres. Paramos para comer um Tambaqui assado na localidade de São Luiz do Tapajós, preparado na hora," especial de primeira". Fica aqui os nossos agradecimentos para essa figura fantástica, o Irineu Richter, que praticamente perdeu o dia nos guiando pela região.
Acabamos saindo na localidade de Trairão- PA, paramos e decidimos que caminho seguir. Minha sugestão foi seguir pela BR-163 e ver de perto a região onde passou o Camel Trophy Amazon no ano de 1989, queria ver a Serra do Cachimbo e outras rotas que eu assistia em DVDs. Surpresa foi ver que a estrada estava bem pior que a Transamazônica, muita lama mesmo, sem atoleiros pros jipes, mas que comlicavam em muito a vida de caminhoneiros e carros pequenos. Ajudamos uma carreta e quatro carros pequenos em dificuldade. Seguindo viagem encontramos na BR uma comitiva, uma mar de bois! segundo um dos peões tinham 1600 cabeças, os jipes sumiram no meio dos bois. Dormimos em Moraes de Almeida,PA no único hotel da localidade.
No hotel enquanto tomava um chimarrãozinho na varanda, se aproximou um senhor de idade que eu cumprimentei. Ele não me disse nem sequer oi, mas me perguntou " O jovem acredita em Deus..." e dali nasceu uma das conversas mais esotéricas e loucas que já tive com alguém. Já tinhamos encontrado o Jorge, venezuelano místico que me deixou quase 1Gb de material no meu computador, e agora mais essa enciclopédia de conhecimentos. Ele também estava de passagem, e seguia para um encontro na região do Sajama, na região fronteiriça entre Arica no Chile e Bolívia, região que tive a felicidade de conhecer no ano de 2001 em uma viagem com amigos. Ele se chamava Paulo, me contou rapidinho sobre a vida dele, de comerciante na cidade de São Paulo a cidadão do mundo. Conversar com o mestre foi muito bom, não teve assunto de meu interesse que eu levantava e ele não me ajudasse um pouquinho, Evangelhos Apócrifos, Livro de Urantia, Apolônio de Tiana..., fiquei maravilhado em encontrar uma pessoa tão erudita numa figura tão simples, viajando de carona pela Amazônia.
Pegamos a estrada cedo com destino a Sinop-MT, numa tocada bem tranquila, não tem o que não bate mais dentro do Murcilha, minhas janelinhas traseiras batendo, um grilo apareceu no painel e por aí vai. Depois do Cat Stevens e do Bob Dylan, quando começava a sessão MPB com Kleiton e Kledir, João Gilberto e Tom Jobim o meu rádio parou! Não preciso de ar-condicionado, vidro elétricos ou outros botões, mas sem um bom som fica difícil, perdemos quase 2 horas até encontrar o responsável.
A Serra do Cachimbo apareceu e trouxe minhas lembranças dos vídeos do Camel Trophy Amazon. Paramos em Guarantã do Norte para abastecer e lá apareceu a F-75 mais "do mal" que eu já vi, motor MWM 6 canecos da F-250, diferenciais traseiros da F-250, pontas de eixo de aminhão mercedes, guincho hidráulico, tudo adaptado pelo proprietário que é torneiro mecânico e gosta de um off-road mais radical.
Dormimos em Sinop no hotel Chalé Italiano, acordamos um pouco mais tarde, um baita café e chegamos no final da tarde em Cuiabá. Amanhã dia para dar uma geral nos jipes, vamos procurar um bom mecânico, já tem uma listinha pronta do que precisa ser visto.
Vamos seguir pela Trans-Pantaneira, amanhã dormiremos em Poconé... tá na hora de começar a voltar para casa. A saudade dos meus filhotes começa a me sufocar..., mas paciência, são só alguns anos até eles terem idade para acompanhar o pai. Tenho que começar a poupança da futura 110 pra levar todos....
abraços,
Walter
Nenhum comentário:
Postar um comentário